sábado, 7 de maio de 2016

Ser Fisioterapeuta de Unidades de Terapia Intensiva

Fisioterapia em Unidade de Terapia Intensiva


O que nos vem a mente quando se imagina ser fisioterapeuta de unidade de terapia intensiva (UTI)? Atuar sobre aspectos Cardiorrespiratórios? Atuar em Ventilação Mecânica? Atuar no paciente crítico e grave? Cuidados em indivíduos comatosos, sedados ou pós operatórios... Na verdade é bem mais que isso. É um misto de cardiorrespiratória, com neuropatologias e por vezes ortopedia. É muito importante sim a atuação sob ventilação mecânica e a fase grave e critica de um paciente que se encontra na UTI sim... Mas em uma UTI não há como separar as necessidades de um individuo, saber avaliá lo é difícil e muito importante. 


Claro que a presença da ventilação mecânica e sedação entre outros chama atenção quando vem em mente UTI, porém o paciente intubado, principalmente o intubado de longa data sofre consequências neuromusculares, sua reabilitação estará intimamente ligada a sua recuperação, que deve iniciar precocemente. E ter em mente que não existe músculos fortes sem seu trabalho é sua obrigação. 


Certa vez, presenciei uma situação, que eu como pós graduada em fisiologia do exercício não me contentei, mas uma colega colocou um paciente internado na UTI neurológica para caminhar e nossa superior, indagou que ali não era enfermaria, que não se coloca paciente de UTI para caminhar. Logo me veio a cabeça, que não se separa as necessidades de um individuo, se ele é consciente orientado, boa força muscular e equilíbrio , até eu o colocaria de pé... até mesmo porque para ter diafragma forte, deambular, fazer esforço contra a gravidade com os membros é necessário.  




Sinceramente, vejo falhas em nossa reabilitação, a falta de materiais físicos, falta de ferramentas de documentação, falta de exercícios terapêuticos dosados e protocolos que realmente gere fortalecimento, falta de espaço para a reabilitação efetiva. O trabalho com exercícios é de extrema importância desde o paciente com neuropatia do paciente critico aos pacientes que ficam internados alguns dias seja por cirurgia ou por pequenos problemas respiratórios. O ideal é ter ferramentas, desde equipamentos a protocolos e monitorização dos sinais vitais e foma muscular para documentar nossa efetividade na qualidade de vida dos pacientes.


Exercícios que geram esforços devem ser dosados e gerenciados por escalas de Borg, oximetria, frequência cardíaca e aspectos visuais palidez por exemplo. Isso é o trabalho neuromuscular de fisioterapia em UTI. Saber prescrever, atuar e dar alta da fisioterapia neuromuscular é função da fisioterapia. Desde que o saiba, claro . Utilizar-se de protocolos de McQueem, DeLorme, Oxford, Teste de Esforço de McArdle, Protocolo HASA são básicos para atuar na reabilitação em UTI são formas já certificadas de que exercícios tem sua funcionalidade nessa população. Cabe aos fisioterapeutas avaliar a funcionalidade e capacidades de cada individuo e ser trabalhado e enquadrar nos protocolos mais adequados, verificar a presença de drogas vaso ativas e suas limitações, inclusive avaliar novas tendencias ou protocolos para ver se realmente cabem a população de UTI. São muitas as novas tendencias, como o pilates em UTI, mas será que serve para aquele paciente séptico? Ou com DVAs? Aquele  paciente que teve síndrome neuroléptica maligna? Ou pós operatório de uma laparotomia exploratória? Um paciente infartado? Um paciente DPOC? Sua obrigação é ler e avaliar, ter em mente os critérios de inclusão dos exercícios de forma terapêutica, isso é importante. Entender que não há isolamento das cadeias musculares mas que a reabilitação muscular deve ser global e que essa vai interferir na cadeia respiratória e nos pontos importantes de cada caso nos faz diferenciados.


Pacientes oncológicos e imunodeprimidos devem ser criteriosamente avaliados. Seria interessante no caso deles, ler o Consenso Brasileiro de Fadiga da Associação Brasileira de Cuidados Paliativos. Esse texto orienta quanto a alguns aspectos e mostra que o exercício é benéfico nessa população desde que bem utilizado. 


Cabe ao fisioterapeuta saber seu papel dentro da UTI e que não está ali por acaso. Existe função, deve ter olhos clínicos e saber que todos que estão ali tem algum trabalho a ser realizado. Cabe ter conhecimento e manejo das informações para atuar mais consciente sobre os indivíduos que se sob cuidados intensivos.